Descobri há poucas semanas este incrível duo que faz cello rock de vanguarda e não sei mais o quê. O “monge mais solitário” é um cello e percussão.
Conferindo:
Difícil saber o que isso é. Mas dá pra ver que o duo de Michelle Morales, que além do cello é vocalista e eventual tecladista, e Miles Benjamin, que se encarrega da bateria e dos teclados , além de se arriscar nos vocais, trazem um algo mais ao mundo do Cello Rock. É difícil às vezes saber a fronteira entre rock e jazz e sonzeira de vanguarda que eles fazem. Até porque, como o Rasputina, eles se trazem o teatro para a música. Benjamin sempre se apresenta mascarado e Morales também tem adotado a ideia da persona estranha, de outro mundo, talvez literário, que desce diante de nossos olhos e ouvidos. O mais recente video do duo traz tudo o que estava em potencial criativo e nos evidencia a solidão em que o tal monge deve estar… porque de alguma forma, explicita a nossa solidão, em meio a um som simultaneamente encantador e levemente macabro. Um som que é difícil compartilhar com quem não tem as mesmas ideias a respeito de Arte. Uma solidão das ideias e do coração.
Disse o Chicago Tribune: “um baile de máscaras… As canções soam frequentemente como se tivessem sido criadas e reunidas por fantasmas e memórias.”
Não dá pra comparar o the Loneliest Monk com grupos de cello rock ou artistas de vanguarda chatos como Break of Reality, Unwoman e Julia Kent. porque eles são chatos, são repetitivos, fazem um som de eunucos, criaram uma fórmula e a repetem na segurança de que são considerados excepcionais em sua idiossincrasia, mas apenas não atentaram para o fato de que são personagens de uma história com poucos nomes. O cello rock é uma novidade, o mundo sempre estava acostumado com a ideia do violino tomando a liderança no mundo dos arcos, e de uns anos pra cá o cello ganha um destaque tal que não poderíamos pressupor há 30 anos (não existe Violin Rock, mas sim a participação do violino no Rock), desde Rasputina e principalmente desde o Apocalyptica. The Loneliest Monk é mais: é inteligência musical, é conhecimento de duas pessoas que obviamente estudaram muito e agora colocam a coisa toda a serviço de uma imaginação profunda, de uma concepção de arte que é simultaneamente moderna e antiquada, racional e sensual, com um som possante e viril ao mesmo tempo intuitivo e, portanto, feminino. É o encontro de homem e mulher. The Loneliest Monk é mistério, meus amigos.
Pra saber mais: http://kilo.wearetheloneliestmonk.com